Banco Central vai permitir refinanciamento da casa própria

(Correio Braziliense) – O Banco Central (BC) vai permitir que os brasileiros usem o financiamento imobiliário como garantia para a obtenção de mais um empréstimo bancário. A ideia é que os consumidores refinanciem a parcela da casa própria que já foi paga aos bancos e, assim, obtenham mais crédito durante a crise da covid-19.

“Quem tem um imóvel e já pagou parte desse imóvel vai conseguir pegar parte do que já foi pago de volta”, anunciou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que nesta terça-feira (23/06) apresentou mais um pacote de medidas que tentam destravar o acesso ao crédito durante a pandemia do novo coronavírus.

Campos Neto disse que, se o consumidor tiver financiado um imóvel de R$ 500 mil no banco e já tiver pago R$ 400 mil desse financiamento, ele poderá refinanciar esses R$ 400 mil para usar esse recurso da maneira como quiser. E essa operação de crédito deve ser realizada com as mesmas taxas do financiamento imobiliário original.

O presidente do BC explicou que um novo empréstimo pessoal tem taxas médias de até 250% ao ano hoje em dia. Já os financiamentos costumam ter juros muito menores, normalmente de 9% a 9,5% ao ano (a taxa referencial, que hoje está zerada, mais essa taxa de juros). Por isso, pontuou Campos Neto, refinanciar a casa própria vai sair mais barato do que fazer um novo empréstimo.

“Você vai ter a oportunidade de ir ao banco e dizer que, dos R$ 400 mil que já pagou, quer pegar R$ 200 mil de volta, como se estivesse repactuando o contrato. E nossa regra faz com que a taxa tenha que ser a mesma. Vale a mesma garantia e a mesma taxa. Então, a diferença é entre pegar um empréstimo de 250% ou de 9% ao ano”, defendeu Campos Neto. “E a agilidade também será muito maior, porque a garantia já está constituída, a avaliação de risco e do imóvel já está realizada”, acrescentou o diretor de Regulação do BC, Otavio Damaso.

“Entendemos que, em um momento extraordinário como esse, vai favorecer muito as pessoas que estão endividadas ou com algum problema temporário, talvez decorrente da covid-19”, concluiu Campos Neto. Ele lembrou que, na pandemia, muitos brasileiros tiveram o salário reduzido ou perderam o emprego e, por isso, precisaram recorrer ao crédito para conseguir pagar as contas.

 

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