Em 3 meses, vendas online crescem o previsto para 5 anos: hábito veio para ficar?

(6Minutos) – Quem não gostava muito de fazer compras pela internet foi testado durante essa quarentena. Por isso, o consumo on-line cresceu e ganhou um espaço que não era esperado nem mesmo pelos varejistas.

“Em menos de três meses, as vendas pela internet cresceram o que era esperado para os próximos cinco anos”, define Patricia Cotti, diretora do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo).

Mas será que esse é um hábito pontual ou é algo que veio para ficar?

Quebra de barreira

O varejo considera como passo essencial a quebra da primeira barreira do consumo. Muitas pessoas que não tinham apreço pelos serviços digitais se viram obrigadas a recorrer a eles, e acabaram descobrindo as vantagens de resolver questões à distância. Isso vale não só para as compras online como para os pagamentos e transações financeiras digitais.

“A quarentena ajudou a quebrar a resistência de quem nunca tinha usado essas ferramentas. E como não se sabe quando a vida voltará ao normal, a tendência é que esses novos usos se transformem em hábito”, explica Cotti, do Ibevar.

Recorrência é a palavra-chave

O número de vezes que o consumidor recorre a um determinado canal de vendas mostra como andam as suas preferências no momento. Embora a quarentena tenha imposto necessidades diferentes, a recorrência das operações online mostrou que esse canal veio para ficar.

“Muitas pessoas que eram não-abertas ao digital e que agora descobriram esse mundo tendem a continuar usando essas ferramentas”, diz Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult.

De acordo com Cotti, do Ibevar, aplicativos e sites que eram utilizados somente uma vez por mês passaram a ser usados até três vezes por semana. Um bom exemplo são as plataformas de restaurantes e supermercados.

E quando as lojas reabrirem?

Parte dos shoppings voltaram a abrir as portas em todo o país, e o que se viu foi que, mesmo com as medidas restritivas, diversos consumidores enfrentaram filas para voltar a frequentar as lojas. Isso significa que os hábitos digitais vão ser deixados de lado?

“A ideia é que as compras e transações online entrem na vida das pessoas, mas é óbvio que depois da pandemia a tendência será a de misturar os dois canais de acordo com a necessidade do momento”, prevê a diretora do Ibevar.

Preço e comodidade

O principal aspecto que definirá se a compra será online ou nos ambientes físicos é a relação de preço e comodidade. A executiva do Ibevar cita o exemplo da compra de um eletrodoméstico que quebrou e que é de uso diário. “Aí existe uma maior chance de a pessoa comprar em uma loja física, para poder sair com o produto de lá”, diz Cotti.

No caso de uma compra planejada, o consumidor poderá atribuir maior peso ao fator do preço, fazendo uma pesquisa em canais diferentes. “Nas categorias que o digital te entrega uma pesquisa e experiência melhor, a compra é mais fácil e mais conveniente”, diz Machado, sócio-diretor da GS&Consult.

Ele diz que setores como farmácias e supermercados devem ganhar mais consumidores online, e que a representatividade dessas categorias no e-commerce deve crescer.

A experiência é importante

Além do preço e da comodidade, o consumidor também deverá dar valor à experiência — principalmente depois de ter ficado meses sem poder recorrer a esses serviços presenciais. Embora muitos restaurantes e bares tenham passado a vender por delivery na pandemia, o consumo presencial nesses lugares deve ser retomado quando a quarentena acabar.

“É claro que você vai querer voltar para o bar e para o restaurante, porque isso faz parte da vida normal”, diz Machado, da GS&Consult

 

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