Em maio de 2021, inflação do aluguel atinge recorde em 26 anos

(Poder360) – O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), conhecido como “inflação do aluguel“, acumula alta de 37,04% nos 12 meses até maio de 2021. É o maior número desde maio de 1995 –quando o Plano Real completava 1 ano e o país deixava a hiperinflação.

O índice é desenvolvido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ele acompanha principalmente a variação dos custos –preços de matérias-primas e outras despesas– aos produtores industriais e agrícolas.

André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, afirma que os motivos para isso foram a desvalorização do real em relação ao dólar e a alta dos preços de commodities –matérias-primas.

O IGP-M é 60% composto pelo IPA, que mede a inflação do produtor, 30% pelo IPC, que acompanha preços ao consumidor, e 10% pelo INCC, da construção.

Braz projeta elevação do indicador nos próximos meses. O motivo: a retomada da economia global, estimulada principalmente pelas grandes potências que já estão mais adiantadas que o Brasil na vacinação –como os Estados Unidos e alguns países na Europa.

A medida que a sociedade mundial volta ao normal, ela passa a demandar mais, passa a consumir mais“, diz o coordenador da FGV. Segundo ele, isso aumentará o preço internacional das commodities e pressionará o custo das produções, acelerando a inflação medida pelo IGP-M.

O coordenador da FGV projeta “alguma” desaceleração só no 2º semestre.”E desaceleração é: a gente vai conviver com inflação ainda, mas com números mais baixos“.

Analistas de mercado financeiro, consultados pelo Banco Central, estimam que o acumulado de 2021 do IGP-M será de 16,82%. A projeção foi divulgada na 2ª (24.mai.2021). Eis a íntegra (276 KB).

Inflação do aluguel

O indicador passou a ser chamado de “inflação do aluguel” por ser referência para reajustes nos contratos locatários. Ele não reflete a variação dos preços de alugueis, mas passou a ser usado no final do século passado com um parâmetro para as correções dos contratos.

Com a crise gerada pela pandemia, muitos locatários negociam para não reajustar ou usar o IPCA, índice do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que mede a inflação para as famílias.

O acumulado de 12 meses do IPCA em maio está em 7,27%, segundo a prévia para maio. Braz afirma que a diferença da trajetória dos 2 índices “nasce da parcela do IGP-M que mede a inflação do produtor“.

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