“Transformação, agora, tem de ser cultura. Temos de ter uma estrutura mais ágil mais simples, ter humildade de reconhecer erros e não ter medo de errar”, disse Maluhy. “A boa notícia é que essa transformação já começou. Temos de dar intensidade e velocidade.”

Dentro dessa revisão cultural, Maluhy citou a eliminação de hierarquias e vice-presidências. “Somos todos diretores, e alguns são membros do comitê executivo, que está mais amplo, mais próximo do time e com mais capacidade e velocidade de decisão”, disse Maluhy.

O diretor do Itaú Unibanco André Rodrigues afirmou que o projeto do novo banco de varejo, o ivarejo2030, está em “fase acelerada de implementação”. A ação, explicou o executivo, prevê revisão estratégica da operação de varejo com uma nova abordagem. “Estamos em fase acelerada de implementação”, disse.

O projeto de ter um novo banco de varejo foi iniciado no Itaú há cerca de dois anos, ainda sob a gestão de Candido Bracher. Dentre as estratégias está a combinação do atendimento da rede física com o digital. De 2019 para cá, o Itaú fechou as portas de mais de 600 agências.

Foco no digital

Os canais digitais devem representar mais da metade das receitas do maior banco da América Latina em um futuro próximo, disse Rodrigues. “Temos como ambição quadruplicar canais digitais para que possam representar 50% da receita do banco.”

Na apresentação de resultados do primeiro trimestre, o Itaú Unibanco estipulou a marca de 15 milhões de clientes no iti como meta. Segundo Sapoznik, a estrutura do banco digital, montada já em nuvem, permite mais flexibilidade.

Regulação favorece fintechs

O copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles, afirmou ontem, em evento do banco para investidores, que existe desequilíbrio de regras entre os grandes bancos e novos entrantes no setor financeiro, como as fintechs. “Não há uma isonomia regulatória. Estamos perdendo essa guerra”, disse ele. Para o também copresidente do conselho Roberto Setubal, a forma como os reguladores vêm tratando novos entrantes tem dado vantagem a eles, pois eles não enfrentam as mesas exigências em termos de capital, liquidez e questões de combate à lavagem de dinheiro.

Ele disse ainda que, se ficar comprovado que não há risco sistêmico, não faz sentido ter regulação tão dura no Brasil. Defendeu ainda uma regra igual para todo o sistema financeiro. “No futuro, a regulação terá de ser isonômica.” Assim, avaliou o executivo, as vantagens serão eliminadas, tornando a competição “mais igual”. Enquanto isso, Moreira Salles disse que o banco tem de reagir. “Temos de aceitar a realidade como ela é.”