Um pouco de poesia


Poder360

 

Irmão negro de voz quente, o olhar magoado,
diz-me:
Que séculos de escravidão geraram tua voz dolente?
Quem pôs o mistério e a dor em cada palavra tua?
E a humilde resignação na tua triste canção?
E o poço da melancolia no fundo do teu olhar?
Foi a vida? o desespero? o medo?
Diz-me aqui, em segredo,
Irmão negro.”

– Noémia de Sousa, Sangue Negro

 

 

Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas este ano eu não morro.”

– Belchior, interpretado por Emicida em AmarElo:

 

 

Você pode me fuzilar com suas palavras, você pode me cortar com seus olhos, você pode me matar com seu ódio. Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

– Maya Angelou

 

 

 

Não podemos aceitar. O teu sangue não seca.
Não repousamos em paz na tua morte.
A hora da tua morte continua próxima e veemente.
E a terra onde abriram a tua sepultura
É semelhante à ferida que não fecha.

A noite não pode beber nossa tristeza
E por mais que te escondam não ficas sepultado.”

– Sophia de Mello Breyner

 

 

 

Guarde a sua desgraça
O desgraçado.
Viva já sepultado
Noite e dia.
Sofra sem dizer nada.
Uma boa agonia
Deve ser lenta, lúgubre e calada.

– Miguel Torga, em Penas do Purgatório

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