O setor de bares e restaurantes foi um dos mais atingidos, tanto nos primeiros meses da pandemia quanto na segunda onda, em 2021. “No início, a gestão pragmática ajudou a sobreviver, sangrando, mas a sobreviver. Quando o governo voltou a apertar fortemente as restrições, nos mantemos com uma mistura de gestão e um pouco de fé e loucura”, diz Humberto Munhoz, sócio do grupo Turn The Table, de bares como O Pasquim e a Vero! Coquetelaria.
Por outro lado, mesmo com a retração agregada da economia, houve setores que saíram ganhando. Mesmo nos serviços, fecharam 2020 com ganhos atividades como intermediação financeira (corretoras de valores, por exemplo) e serviços imobiliários (cada um com R$ 16,3 bilhões a mais de contribuição para o PIB).
Para Eduardo Zilbermann, economista-chefe da Gávea Investimentos e professor da PUC-Rio, a covid-19 parece trazer mudanças estruturais. O destaque é um impulso nos serviços tecnológicos e em comunicação a distância. No lado negativo, enquanto a pandemia seguir seu curso, os serviços que exigem contato pessoal, como bares e restaurantes, seguirão fragilizados.
A dúvida é sobre a duração desses efeitos, diz Zilbermann. Um controle moderado da pandemia poderá exigir a manutenção de algumas medidas de restrição a contatos sociais por algum tempo, mas, no caso de um freio mais forte na doença, os serviços presenciais poderiam ganhar impulso no curto prazo, diante da demanda reprimida.
O agronegócio deverá renovar o recorde da produção este ano, e o Ibram, entidade representante das mineradoras, projeta faturamento de até R$ 270 bilhões, salto de até 29% ante o ano passado.
Década perdida
Segundo Zilbermann, esses setores ajudam na recuperação da economia, levando à revisão para cima de projeções para o PIB, mas há dúvidas sobre o “quão sustentável” esse movimento será. A continuidade pode ser atrapalhada por “problemas usuais” da economia brasileira, com destaque para as crises política e fiscal.
Preso nesses problemas, o Brasil teve uma década perdida na economia. De 2011 a 2020, o PIB teve retração de R$ 92 bilhões, ou 1,2%, embora a população tenha crescido 10,1% no período, aponta o Ibre/FGV. Com isso, o PIB per capita encolheu de R$ 39.196, em 2011, para R$ 35.172 em 2020. “É uma economia totalmente estagnada”, aponta Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV.
Varejo
O comércio, que faz parte do setor de serviços, fechou 2020 com perdas de R$ 24,6 bilhões, calcula o Ibre/FGV. No entanto, algumas atividades específicas saíram ganhando, impulsionando negócios como supermercados, mercadinhos, farmácias e as grandes empresas de comércio eletrônico.
A alta chama a atenção, mas o comércio eletrônico ainda responde por apenas 6% do volume vendido pelo varejo ampliado no País, diz Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Esse movimento é mais relevante em alguns segmentos, como o de aparelhos de comunicação e informática (28% das vendas já são online), livraria e papelaria (9,5% do volume vendido em 2020 foi por meios digitais), móveis e eletrodomésticos (8,7%) e comércio automotivo (6,6%).
“Combustíveis e lubrificantes não têm nada de venda online, claro. Em supermercados ainda é baixo, só 1,2% das vendas foram online no ano de 2020. Outro setor com dificuldades estruturais de vencer essa barreira do e-commerce é o de vestuário, que tem só 5,4% do faturamento proveniente do comércio eletrônico”, diz Bentes, que projeta novo avanço do comércio eletrônico no País neste ano.
Segundo ele, a participação das vendas online no faturamento do varejo ampliado deve subir para 6,8% em 2021. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.