Azul ultrapassa Latam e Gol e se torna aérea que mais transporta brasileiros

(6Minutos) – Há muitos anos Latam e Gol se alternam na liderança do mercado aéreo no Brasil, mas isso começa a mudar. A Azul vem driblando essa tradição e, em meio à redução generalizada de oferta de voos por causa do avanço do coronavírus, já responde por quase metade da participação de mercado nos voos domésticos.
Desde fevereiro, a companhia fundada em 2008 pelo empresário americano David Neeleman vem respondendo pela maior parte do transporte de passageiros dentro do país, e esse percentual vem crescendo. Em abril, último dado disponível, a empresa alcançou um market share de 48,4%, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Malha mais regional

Não que a crise não tenha afetado a Azul, muito pelo contrário. Somente no primeiro trimestre de 2021, ela apresentou um prejuízo de R$ 2,8 bilhões. Mesmo assim, a avaliação de especialistas no setor aéreo é que o sofrimento da empresa, que possui uma malha mais regionalizada, foi menor do que o das concorrentes.

“A Azul se aproveitou da capilaridade da malha dela. Tem uma cobertura mais nacional e regional ao mesmo tempo, e esse é um fator que dá um certo amortecimento da crise”, aponta Alessandro Oliveira, professor especializado em aviação do Nectar (Núcleo de Estudos em Competição e Regulação do Transporte Aéreo) do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

Os números da Anac ajudam a entender como Latam e Gol foram mais penalizadas. Nos últimos 12 meses encerrados em abril, as duas companhias tiveram uma queda de mais da metade das sua oferta de assentos (recuos de 55,2% e 50,1%, respectivamente). A Azul também teve uma queda muito forte, mas bem menor, de 29,9%.

Há outros pontos importantes que ajudam a explicar a vantagem da Azul nesse crise.

Um deles é o fato de que a empresa conta com aviões menores, que possuem um custo de operação mais baixo. Além de a companhia já ter surgido com esse perfil de frota, no meio da crise, em maio, a Azul comprou a TwoFlex, empresa de voos regionais com 17 aeronaves de pequeno porte.

Além disso, ela se destaca nos voos realizados na região central do Brasil, onde o agronegócio é forte.

“São aviões menores, com custo por hora menor. Custa menos manter a malha”, explica o especialista em aviação André Castellini, sócio da Bain & Company. “E os mercados onde a Azul é forte talvez tenham sofrido um pouco menos. Eles são fortes no Centro-Oeste, por exemplo, e o agronegócio não sofreu com a pandemia, pelo contrário. Houve uma explosão de exportações de commodities”.

Para especialistas, não está descartado que a Azul consiga manter uma participação maior nos voos domésticos depois que a pandemia perder tração no país.

“Por mais que a Latam e a Gol tenham muito mais aeronaves disponíveis para preencher o mercado rapidamente quando a demanda voltar, existe muito avião parado no mercado de leasing [arrendamento]”, diz Oliveira, do ITA. “A Azul pode, eventualmente, arrendar alguns aviões. Mas é claro que o cenário mais crível é que a Latam e a Gol se recuperem bem mais rapidamente, pois não precisam contratar nada”.

É uma avaliação parecida com a de Castellini, da Bain. “A própria Latam já afirmou, em entrevistas, que a companhia vai sair da crise como uma empresa menor”, aponta.

Code share e rumores de compra da Latam

Há outro possível movimento que pode mudar completamente esse jogo. Em agosto do ano passado, em uma tentativa de ganhar algum fôlego em meio às dificuldades trazidas pela crise, Azul e Latam fecharam um acordo de code share, ou compartilhamento de voos, em que os clientes compram bilhetes e podem viajar em qualquer uma das duas companhias.

Desde então, os rumores são de que a Latam Brasil, que entrou em recuperação judicial, poderia ser vendida para a Azul, um cenário que vem sendo considerado provável por analistas do setor financeiro.

 

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