Com W3 Sul pronta até dezembro, GDF espera melhora do comércio

Desde julho, via tem passado por obras de melhoria.

GDF promete terminar os trabalhos até o fim do ano.

Revitalização recebeu R$ 4,3 milhões em investimentos,

e reparos serão expandidos para a W3 Norte

 (crédito: MINERVINO JUNIOR )
(Correio) – Calçadas novas e asfalto reformado. São essas as estratégias do Governo do Distrito Federal (GDF) para revitalizar a W3 Sul até o fim deste ano. Avenida de serviço para áreas residenciais e comerciais do Plano Piloto, a W3 Sul já foi uma das áreas de maior potencial comercial da capital federal. Apesar dos problemas, muitas lojas tradicionais resistem ao tempo, ao desgaste e à estrutura já envelhecida. Com as obras, que custarão R$ 4,3 milhões, a intenção do GDF é retomar a força do comércio local e facilitar a vida de empresários, pedestres e motoristas que passam todos os dias pelo local.

Ao Correio, o presidente da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Izidio Santos, afirmou que as reformas tocadas em parceria com a Secretaria de Obras do DF devem retomar a potência da avenida — que é uma das mais movimentadas da região central de Brasília. “O objetivo é realmente revitalizar a W3, que é uma importante via do Distrito Federal. Com isso, acreditamos que novos comerciantes virão”, disse.

O representante da Terracap ressaltou o prazo de finalização das obras. “O objetivo é devolver ainda neste ano toda a W3 revitalizada. Junto às obras, foram feitas outras adequações: toda a iluminação da via é de led, foram recuperados pontos de ônibus e alguns estacionamentos. É um conjunto de serviços para dar essa funcionalidade a W3 e W2”, afirmou.

Desde julho de 2020, o local está recebendo melhorias nas vias urbanas e nas calçadas, com nivelamento por meio de piso tátil e rampas a fim de garantir acessibilidade. As empresas contratadas para a reforma são responsáveis por realizar obras nos estacionamentos e nos becos entre os blocos, além de serviços de arborização, paisagismo, pintura, sinalização horizontal e troca da iluminação. Segundo o GDF, mais de 200 empregos foram gerados com as obras.

Comércio local

O empresário João Batista, 50 anos, trabalha na W3 Sul há 34 anos. Ele é proprietário de uma loja especializada em manutenção e venda de eletrodomésticos, e enfrenta diariamente os problemas da região. Com calçamento desgastado e asfalto velho, João destacou os transtornos dos comerciantes. “O comércio da W3 está abandonado. Até tem algumas benfeitorias, mas é por parte. São reivindicações que a gente faz há bastante tempo”, afirmou.

O empreendedor relembrou o passado glorioso da via e como a situação mudou por ali. Na avaliação dele, a área está abandonada e sem perspectiva. “Tinha tudo na W3 Sul. Hoje, não mais”, destaca. “Dá para melhorar. Tinha de ter mais segurança. A W2, que é um complemento da W3, deveria ser mais bem iluminada, e tínhamos de revitalizar as marquises. A W3 Sul está feia; ela era muito bonita, eu acho que pode voltar a ser. Depende do governo e um pouco da iniciativa privada também”, ponderou.

O coordenador de vendas Luiz Galdino, 35, trabalha na 503 Sul. Ele destaca os pontos positivos da área. “É uma região bastante interessante, localizada próxima ao grande centro de Brasília e completamente autossuficiente”, disse. Para ele, a W3 Sul carece de reformas estruturais. “[Falta] revitalização e acessibilidade nas calçadas, aumento e revitalização dos estacionamentos, das fachadas das lojas, incentivos para grandes empresas se estabelecerem no local e aumento no policiamento”, destacou.

Desvalorização

Com o passar do tempo, a W3 Sul tornou-se pouco atraente para os investidores do mercado imobiliário. As principais queixas são baixa acessibilidade, falta de segurança, pouco estacionamento e distância entre um comércio e outro.

O presidente Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Distrito Federal (Creci-DF), Geraldo Nascimento, explicou como a região foi impactada negativamente. “Não há posto policial próximo. A população não tem segurança alguma em transitar pela W3. Muitas lojas tradicionais fecharam ou mudaram para shoppings. A gente já não procura mais nada na W3. Aquelas casas tradicionais não existem mais”, lamentou.

Na avaliação do presidente do Creci-DF, o local está abandonado e necessita de mais atenção do poder público. “O investimento lá deixou de ser importante para o investidor do mercado imobiliário”, concluiu Nascimento.

Urbanistas sugerem soluções para a via

 (crédito: MINERVINO JUNIOR )

O Correio consultou arquitetos e urbanistas para entender porque o projeto da W3 Sul é diferenciado e quais são as melhores soluções para tornar a região atraente novamente. O urbanista e professor do Ceub Alberto de Faria conta a história da W3 Sul e como a área se destacou em relação às outras durante a construção de Brasília. “O Plano Piloto de Lúcio Costa pensou a W3 como uma grande avenida de apoio para um comércio varejista e também atacadista. Um comércio variado”, explicou.

A W3 faz parte da área tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). As ruas e avenidas foram determinadas pela concepção do urbanista Lúcio Costa. Embora as atividades da W3 Sul estejam voltadas ao comércio, de início, o projeto referia-se à via como uma área destinada ao abastecimento das residências, dispostas ao longo da faixa rodoviária. “A W3, desde o início, assumiu o papel de ser um local de um comércio muito vibrante e variado”, contou o professor.

O urbanista ressalta a expansão do comércio local em pouco tempo. “Ela aglutinava pessoas, era muito dinâmica, tinha grandes lojas e marcas que nem existem mais, que se instalavam na W3 exatamente para poder ocupar e prestar esse serviço”, disse Faria.

Diferencial

Na avaliação do arquiteto e urbanista Frederico Flósculo, o grande destaque da W3 é o tamanho da via. “Um grande diferencial é a extensão de uma área com potencial de uso e diversificação que não existe em outro espaço de Brasília”, disse. “A W3 se tornou um verdadeiro magazine, um shopping center linear, mas com força nas 500. Uma grande extensão de comércio na Asa Sul. A Asa Norte, nessa época, ainda não estava consolidada. Seriam outros 6km de área comercial e de serviços”, afirmou. Para Flósculo, uma reforma é fundamental para recuperar o potencial local. “Como ela teve muito sucesso e brilhou, é por isso que falamos em revitalização”.

A arquiteta e urbanista Marilívia de Souza faz sugestões para melhor reaproveitamento da W3. “Tem um grande potencial de encontro das pessoas que estão de carro ou de transporte público. Deve ser estimulado que as pessoas utilizem esses espaços para andar a pé. Um comércio, uma lojinha ou uma galeria para que o espaço seja mais fluido. Hoje em dia, a W3 é muito desgastante. Não é confortável ou bonito”, avaliou.

A especialista afirmou que a avenida necessita de mais atenção e cuidado. “Falta um pouco a sensação de pertencimento daquele espaço. De as pessoas caminharem por lá e terem prazer de estar em um espaço múltiplo, heterogêneo e diverso. Falta um olhar mais gentil para aquela área. Ela está muito danificada e abandonada”, observou.

W3 Norte

Por enquanto, as obras ainda não chegaram na W3 Norte, mas as pessoas que frequentam a avenida já vislumbram uma revitalização. A gerente de um espaço de coworking na 305 Norte Maria Luísa Sarnícola, 23 anos, destaca os benefícios e as dificuldades da região. “O comércio local é excelente, e tudo que você precisa tem por perto, como ponto de ônibus, a rodoviária e o Setor Hoteleiro. Os problemas são a falta de investimento nas quadras: de iluminação e de segurança, e os canteiros, jardins e pistas precisam de reforma”, diz.

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