IBGE: crise econômica causada por covid-19 é diferente de todas anteriores

 

Pela primeira vez na história recente do país, a economia sofre com choque de oferta

e choque de demanda ao mesmo tempo, aponta instituto

(Valor) – A crise na economia causada pela pandemia do covid-19 é diferente de todas as outras crises econômicas na história do país, alertou Rebeca Palis, chefe do departamento de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ela fez o comentário ao falar sobre o recuo de 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2020, ante os três meses anteriores. Foi o mais intenso desde segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Rebeca observou que, pela primeira vez na história recente do país, a economia sofre com choque de oferta e choque de demanda ao mesmo tempo.

Rebeca comentou que, pela ótica da produção, a atividade de serviços caiu 1,6% no primeiro trimestre deste ano, ante quarto trimestre de 2019. Ela comentou que esse setor representa mais de 70% do total do PIB. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias caiu 2%, na mesma comparação.

Ao ser questionada se, ao se olhar a profundidade das quedas tanto em consumo de famílias quanto em serviços, bem como o peso dos dois segmentos no PIB, poderia se supor que a economia vai demorar a se recuperar, Rebeca foi cautelosa. Ela admitiu que, diferente de outras crises, ocorre choque de oferta e demanda na economia brasileira. Ela citou a crise do setor elétrico em 2001, quando oferta de energia caiu; e outras crises em que a demanda das famílias foi afetada. Mas nunca antes ocorreram dois choques, pelo lado da oferta e da demanda, notou.

A técnica comentou que, com o isolamento social exigido para inibir o avanço do covid-19, isso gerou o fechamento de serviços como salão de beleza, lojas, entre outros. E com o aumento do desemprego e menor ritmo de trabalho informal, a renda originada do trabalho caiu, causando forte impacto no consumo das famílias.

“A recuperação, temos que ver os dados mais para frente para ver como vai se comportar” o PIB, afirmou. “O mercado de trabalho não costuma recuperar tão rápido”, notou. “Realmente, é uma conjuntura diferente de todas as outras crises econômicas que tivemos”, resumiu ela.

 

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