Vacinação não é suficiente para desobrigar a máscara, dizem especialistas

(Poder360) – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 5ª feira (10.jun.2021) que o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) “vai ultimar parecer visando a desobrigar o uso de máscara por aqueles que estejam vacinados ou por aqueles que já foram contaminados”. Segundo Queiroga, um estudo avaliando a flexibilização da medida deve sair “o mais rápido possível”.

A vacinação, entretanto, não é suficiente para evitar a transmissão do coronavírus, segundo explicam especialistas consultados pelo Poder360.

O cenário brasileiro é diferente, por exemplo, da situação epidemiológica dos EUA, que vêm flexibilizando as restrições e o uso de máscaras entre indivíduos “plenamente vacinados” contra a covid-19, ou seja, aqueles que já completaram o esquema vacinal.

Os Estados Unidos estão apresentando uma curva decrescente dos casos e estão com uma cobertura vacinal muito maior do que temos no Brasil”, comenta Paes. “Aqui nós temos uma vacinação mais restrita, uma recomendação como essa [de desobrigar o uso de máscaras] será até injusta com as pessoas que não têm acesso à vacina”, afirma a médica.

Mesmo com a vacinação mais avançada nos EUA, especialistas norte-americanos já ressaltaram a importância do uso de máscaras de proteção mesmo entre aqueles que já foram imunizados.

No Brasil, a média móvel de novos casos de covid-19 no país está acima de 50.000 desde o fim de fevereiro, indicando uma alta taxa de contágio.

REINFECÇÃO AINDA É REALIDADE

A ideia de que, uma vez infectada, a pessoa não tem chances significativas de se contaminar novamente e transmitir o vírus também é refutada por médicos, infectologistas e pesquisadores.

O médico Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que, à medida em que a pandemia avança, a probabilidade de reinfecção por covid-19 acaba aumentando.

Os dados mostram que às vezes por 4, 5 ou 6 meses dificilmente ocorre alguma reinfecção. Como já temos 1,5 ano de pandemia, a chance de reinfecção aumenta, já que a tendência é que a imunidade se perca com o passar do tempo”, observa.

Segundo ele, o Brasil só pode pensar em relaxar o uso de máscaras quando a taxa de transmissão for baixa. Por enquanto, desobrigar essa medida restritiva “comprometeria todo o esforço que vem sendo feito para controle da transmissão”.

A proliferação de novas cepas do coronavírus, como a variante indiana, é outro fator que pode aumentar as chances de reinfecção. “As novas variantes têm escapado da imunidade induzida pela infecção anterior. Quem teve uma infecção por uma variante em março do ano passado pode encontrar uma nova variante em circulação agora”, pontua.

Michelle Fernandez, professora e pesquisadora do Instituto de Ciência Política da UNB (Universidade de Brasília), acredita ainda que a máscara será adotada como medida de higiene mesmo quando a pandemia for controlada no país. “Possivelmente daqui para frente as máscaras vão passar a fazer parte do nosso dia a dia como etiqueta de higiene em caso de questões respiratórias, como acontece em outros países”, avalia.

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