Como nasceu o KKKKKKK da geração Z e por que emoji de risada é coisa de gente velha

Onomatopeia da gargalhada existe pelo menos desde 1830,

quando o escritor José de Alencar registrou um KKKKKK mais primitivo.

Sua celebração hoje coincide com o declínio do emoji de riso chorando.

 

(BBC) – Se você usa emoji de risada para rir, você é velho. E cringe. Cringe, caso você não saiba, significa vergonha alheia, uma adaptação do termo em inglês.

A guerra geracional entre os Z e os millennials que bombou entre os americanos no início do ano chegou à internet brasileira na semana passada, depois de um tuíte sobre o assunto viralizar.

Os nascidos após 1996 deixaram claro o que acham dos adultos dos anos de 1981 a 1996: se tomam café da manhã, reclamam dos boletos para pagar, usam calça skinny e emoji genérico para rir, a vergonha é grande.

Se também tivessem gargalhado, os adolescentes de agora teriam rido apenas KKKKKKKKK. Ou teriam recorrido a outra forma corrente do riso LKHOHOIYHOUGYFYPJPJPU.

Sim, isso mesmo. Ligue a caixa alta e sente a mão no teclado. O que sair é jogo. Esse tipo de risada altamente aleatória – uma subversão da onomatopeia, por que não? – denota mais graça ainda.

Emoji de risada, por outro lado, é coisa de gente velha. Mais ou menos quando o “nariz” em emotions denunciava a idade do interlocutor. 🙂

Arqueologia do KKKK

Tendência ou não, o KKKKKKK não é novo. Aliás, velhíssimo. Essa gargalhada – quando lida em voz alta, deve soar como um gostoso kakakakakaka – é usada pelo brasileiro há pelo menos mais de 150 anos. Mas era algo mais para os vagarosos “cá cá cá, quiá quiá quiá ou quá quá quá.

Temos algumas evidências disso.

A primeira está Til, romance regionalista de José de Alencar (1829-1877) publicado em 1872 que se passa em uma fazenda no interior de São Paulo. O livro conta a história de Berta, uma menina acolhida pela viúva Nhá Tudinha.

Em um trecho, Nhá Tudinha aparece “debulhando-se em uma risada gostosa”. “Não fazia a menina um trejeito, nem dizia uma facécia, que a viúva não se desfizesse em gargalhadas”

 

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