Empresários criam loja com atendimento na calçada

  • O abre e fecha da pandemia impulsionou formato de loja sem salão para atender o público
  • Nesse tipo de comércio, o cliente fica do lado de fora: escolhe, paga e retira sem entrar no local
  • O inconveniente é que os clientes somem em dias de chuva. Por outro lado, o custo do aluguel é menor
(6Minutos) – Quem é bom observador da cidade já notou que um tipo novo de loja anda pipocando por São Paulo: comércios que atendem da calçada. Não é como a portinha do chaveiro ou uma banca de revistas. São projetos bem elaborados, feitos por arquitetos de renome, mas com um diferencial: o cliente não entra. No máximo, é atendido num balcão.

São exemplos dessa nova arquitetura comercial a padaria Assaz Orgânica, na rua Major Sertório, na Vila Buarque, os cafés The Coffee, a Pistor Pães Artesanais, em Santa Cecília e a Patties Burger, em Pinheiros e no Brooklin.

Já a Pistor Pães Artesanais foi inaugurada bem no início da pandemia, em abril do ano passado. “No projeto inicial, havia umas duas mesinhas na parte interna. Mas convencemos os donos a tirá-las”, conta Marco Artigas, arquiteto do Estúdio Artigas, responsável pela arquitetura da loja.

“A gente não tinha a menor ideia do que ia acontecer, que vinha um vírus, isolamento. Mas o projeto calhou muito bem com a pandemia. Nesse tempo todo, não fechamos nenhum dia”, conta Felipe Carrilho, dono da Pistor, junto com Paula de Barros.

A fachada da Pistor é toda feita em madeira e vidro. Os pães são a estrela do projeto, pois ficam bem à vista, para serem escolhidos de fora. Há uma marquise, caso chova ou chuvisque. De fora, os clientes não só veem o que já está pronto, mas também Carrilho fazendo os outros pães, numa cozinha totalmente exposta.

Nesse tipo de projeto, explica Artigas, é preciso considerar a rua, a calçada. Afinal, é o onde o cliente vai ser atendido. Então, árvores e banquinhos sempre caem bem. “É uma mudança de cultura, existe um interesse em olhar além, para a cidade. Além de ser muito seguro em relação à pandemia”, conta ele.

Para que tipo de comércio esse modelo serve?

Claro que ficaria difícil vender roupas, por exemplo, dessa maneira. Mas produtos de alimentação, flores, cafés funcionam muito bem.

Quais as vantagens?

Primeiro, o comércio se blinda contra o abre e fecha da pandemia. Ele pode funcionar direto, conforme as leis locais. “Na primeira quarentena, em Curitiba, tivemos que fechar todas as lojas. Mas no segunda, foi permitido atuar no sistema de ‘pegue e leve’ e pudemos abrir” diz Carlos Fertonani, um dos fundadores do The Coffee, uma minicafeteria que já tem 60 lojas em vários estados. As lojas da The Coffee já atendiam da calçada antes da pandemia. As menores têm apenas sete metros quadrados, onde fica a máquina de café, o barista, o estoque e um banheiro para o funcionário.

E, como são lojas muito pequenininhas, o aluguel do ponto é barato. E isso ajuda muito nas contas em um momento de crise. “Graças a isso, não fechamos nenhuma das lojas desde o início de toda essa crise”, conta o empresário.

O tamanho da loja também acaba influenciando no preço do produto, diz Henrique Azeredo, um dos proprietários da lanchonete Patties Hamburger and Fries. Das três lojas da rede, duas não têm salão. São uma pequena loja, com um balcão logo na entrada, onde o cliente faz o pedido e retira. “Tenho, em média, cinco funcionários por turno em cada loja. Se tivesse salão, precisaria de 20”, conta Azeredo. E esse custo, mas o do aluguel – que também seria mais caro – acabam embutidos no preço.”

E os pontos fracos?

É a chuva, conta Carrilho, da Pistor. “Realmente, quando chove fica meio parado. Mas é dar um alívio que o povo vem comprar”, conta ele.

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