Um pouco de poesia

Por Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), Poder360

“Inútil pedir
Perdão
Dizer
Que o traz
No coração
O morto não ouve.”

  • Ferreira Gullar, O Morto e o Vivo

“O morto está sinistro e amortalhado
Rodeado de herdeiros inquietos como sombras
Que atormentam o ar com seus pecados.”

  • Sophia de Mello Breyner, no poema Velório Rico

 

“Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora,
Não espera acontecer.”

  • Geraldo Vandré

 

“Acuso-te, Destino!
A própria abelha as vezes se alimenta do mel que fabricou…
E eu leio o que escrevi
Como um notário o testamento alheio.”

  • Miguel Torga, no poema “Denúncia”

 

“Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã.
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã.
É assim será possível, mas hoje não…
Não hoje não, hoje não posso.
…
Amanhã é o dia dos planos
Amanhã sentar-me-ei à secretaria para conquistar o mundo,
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…”

  • Fernando Pessoa, no poema “Adiamento”

Deixe um comentário

    Fale com a gente!